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Um blog sobre as angústias da modernidade...historiasobliquas@hotmail.com

Monday, August 23, 2004

Uma história incrível: roubaram "o grito", uma das obras-primas de Edvard Munch, em plena luz do dia, e com direito a fotografias e tudo. A Noroega está chocada com o roubo- sobretudo porque, ao que parece( e esta é a parte bizarra da história) , o quadro não tinha seguro! Se isto ocorre-se em Portugal escusado seria dizer que iriamos ( nós e toda a gente!) dizer que seria um sintoma do nosso atraso- mas foi na desenvolvida e insuspeitadamente insegura Noruega... É que "o grito" é um dos quadros mais conhecidos do mundo( juntamente com a "Gioconda", com a"Guernica" e com "os girasóis"), não dando mesmo para acreditar que não tivesse seguro!
Uma vez, por afazeres que não vêm ao caso, estive ligado à organização de uma exposição de Banda Desenhada. Ora em Portugal o seguro é obrigatório- porque sem isso não haveria a dita exposição( direi mesmo que, na altura, isto me pareceu um exagero). Como é possível que na Noruega isto não se passe?
As eleições no PS estão na ordem do dia. Parece-me que Manuel Alegre está a fazer uma óptima campanha, tendo ganho clara vantagem sobre João Soares- uma vez que sendo candidaturas que representam a esquerda do PS, disputam os mesmos eleitores. Sócrates parece-me que vai ganhar- sendo mesmo a principal questão saber por quantos( ou seja, saber qual é o peso da ala esquerda do partido).
O que já me parece mais lamentável é o tom fulanizado que tem imperado no discurso de todas as candidaturas- tom esse que prejudica evidentemente a imagem que as pessoas têm do PS e da política em geral.
Um artigo bem interessante do general Loureiro dos Santos sobre a morte da Nato:

http://jornal.publico.pt/2004/08/23/EspacoPublico/O01.html
No Iraque Al Sadr está a pôr a cabeça em água aos Estados Unidos. Aparentemente( digo isto porque praticamente já não existe informação independente sobre o Iraque) o clérigo está barricado no lugar mais sagrado do mundo para os Xiitas: Najaf. Aparentemente há um cerco que já dura há meses, e aparentemente Al Sadr não quer negociar. As forças da ocupação estão a tentar evitar o bombardeamento da mesquita- com medo das consequências políticas que adviriam de tal agressão. É que é bom lembrar que esta foi a semana em que o Irão ameçou os americanos de usar a força preventivamente( ou seja adoptar a mesma doutrina que os Estados Unidos)- facto que é indissociável do processo de Najaf e do facto do Irão ser um Estado fundamentalista islâmico, já para não falar que Al Sadr quer fazer no Iraque o mesmo que Komeni fez no Irão. Ciente disto tudo, Bush II( que já não fala sobre o Iraque desde há dois meses...) deu esta semana sinal de vida: decidiu retirar tropas da Alemanha e da Coreia. Ainda não se sabe bem qual o desfecho da tragédia iraquiana, mas uma coisa é certa: a NATO morreu com a questão do Iraque, e os Estados Unidos estão a adaptar-se a isso...
Boas! As minhas férias terminaram, e eis-nos de regresso a esta carga de artilharia...

Thursday, August 05, 2004

Morreu Henri Cartier-Bresson- um dos maiores fotógrafos do século XX:

http://www.photology.com/bresson/
Boas! Férias são férias- mas hoje vou abrir uma exepção para falar sobre o obscuro caso da localização da Secretaria de Estado da Agricultura. Recapitulemos a trapalhada:
- Ainda nem sequer tinha sido indigitado, e já Santana Lopes falava em colocar "o ministério"( foi a 1ª versão) da agricultura em Santarém. Considerava o futuro PM que a deslocalização teria vantagens. Por esta altura, lembro-me de falar com os meus conterâneos( nasci em Santarém) e viveu-se um clima de esperança legítima, a tal ponto que quando eu achava que a deslocalização era uma toliçe, era imediatamente calado com o argumento que a mesma iria "ser boa para a cidade";
- Depois da tomada de posse, e já passadas três longas semanas sobre a 1ª versão, surge a 2ª versão: afinal já não é o Ministério que virá para Santarém, mas sim a Secretaria de Estado. E pelo caminho deslocalizam-se outras tantas- porque certamente alguns devem ter ficado tristes de não terem na sua autarquia esse chique que é uma Secretaria de Estado. Por esta altura era já claro que o governo não tinha( como não tem) nenhum propósito estratégico ao deslocalizar-se, mas apenas o propósito óbvio de agradar a clientelas políticas, e de fazer uns números para os jornais( terreno em que Santana Lopes é perito). Mas ainda assim scalabitanos houveram que acreditaram na bondade das intenções governamentais;
- Hoje soube-se que a Secretaria de Estado vai, imagine-se, para a Golegã! Esta decisão é uma clara afronta à cidade, e demonstra até que ponto este governo é um mero produto de markting, sem qualquer estratégia nem competência. Pergunto eu: e a Sectretaria da Educação irá para Oliveira do Hospital? e a do Turismo, acabará em Olhão? A reacção indignada de todos os scalabitanos é, neste caso, comprensível e legítima. Porque só conheço uma expressão digna da torpeza de quem conduziu este processo: "politics!". É o modo perjurativo como nos Estados Unidos tratam esta pequena e selvática política, em que muitos são especialistas. Estamos mesmo entregues à bicharada...

Monday, July 26, 2004

Boas! Na sequência do meu texto sobre o PS, foram-me pedidos esclarecimentos importantes sobre duas matérias. Por um lado qual eu acho que será o papel do PS de quarta geração( Vide post anterior) na presente crise. Por outro em qual dos PS's eu vou votar.
Quanto ao primeiro aspecto, devo dizer que o mesmo é interessante, na medida em que os quadros intermédios, parece-me, irão apoiar Sócrates- não porque gostem do seu ar arejado ou das suas camisolas de gola alta, mas porque irá ser, no presente cenário, o cavalo mais seguro. O Boy do PS, de resto, não difere muito do Boy do PSD ou do PP, ou do funcionário do PCP. É um fenómeno antigo na sociedade portuguesa( Eça e Camilo retratam-no), que tem a ver com a burocratização dos partidos, e com a formação de aparelhos partidários- em regra acéfalos, mas geralmente funcionais( Eça, numa das suas farpas, chamava ao actual Boy o "sr. influente"), porque são políticos em sentido lato, isto é, pessoas que só vivem, viveram e irão viver da e para a política partidária. Isto é, de resto, uma simples constatação, sem o qualquer caractér negativo,  pois sem os Boys não havia PS, assim como sem funcionários o PCP morreria.
Já quanto a saber em quem votarei, digo ao carissimo leitor que isso é comigo- pois certamente esse leitor( devidamente identificado, de resto), não gostaria que eu lhe endereçasse a mesma questão. Mas devo dizer que este congresso vai ser bastante interessante para perceber o que é o PS de hoje- uma vez que as três tendências que enunciei estão em três candidaturas: O PS dos Maçons( ou o PS da sua pureza original), na candidatura de João Soares; O PS dos ex-comunistas( ou o PS que vê na alternativa da esquerda o seu destino natural), na candidatura de Manuel Alegre; O PS dos Católicos Progressistas e de quarta geração( ou o PS que visa ser um partido de poder, não vincando em demasia aspectos ideológicos), na candidatura de José Sócrates. Promete ser bastante interessante e clarificador.

Friday, July 23, 2004

http://www.instituto-camoes.pt/bases/paredes/biografia.htm

Para quem quiser saber mais sobre o mestre.
Morreu Carlos Paredes, o homem que transfigurou o fado da mesma forma que Astor Piazolla havia transformado o tango. Poucas palavras há para definir a sua música, a sua simplicidade e a sua grandeza. Carlos Paredes é daquelas pessoas tão grandes perante as quais as palavras se tornam inúteis. E como artista deixa um legado tão fundo na cultura portuguesa, que jamais morrerá. Como ouvinte de tantas e tantas tardes e noites, de boas e de más ocasiões, devo-lhe uma única palavra final: Obrigado.

Thursday, July 22, 2004

José Sócrates prepara-se para ser o próximo secretário geral do PS. Uma das coisas mais interessantes do PS é que eu, um simples militante de base, posso eleger o meu Secretário-Geral. Conhecendo eu razoavelmente o partido( costumo dizer que sou sócio do PS, para definir uma afinidade política que não deixa de ser crítica e, como tal, não militante no sentido lato da palavra), tinha prometido há uns tempos escrever um pouco sobre o que é o PS, o que foi a liderança de Ferro Rodrigues e o que pode vir a ser o futuro do PS.
O PS é um partido de agregação, no sentido em que a sua carga ideológica está esbatida por ser um partido do poder. No PS, desde a sua génese, existem essencialmente três grupos: Os Maçons, que foram os grandes impulsionadores do partido; Os ex-comunistas, que vêm históricamente engrossar as fileiras do PS; Os Católicos Progressistas, que são o elo mais moderado do partido. A estes veio acrescentar-se, com a liderança de Guterres, um quarto grupo: o grupo dos quadros intermédios do partido( vulgo Boys). Estes são verdadeiramente quem manda no PS, uma vez que são eles quem trabalha nas autarquias, quem um dia pode vir a entrar no governo ou na administração pública. A sua formação política geralmente é pobre, como o demonstrou o agora tristemente célebre episódio de Matosinhos. Os Boys escolhem, obviamente, o cavalo que entendem ser o mais forte- não olhando a ideologias.
Ao longo dos últimos trinta anos o PS foi sendo arrastado por força das circunstâncias para a direita- culminando este fenómeno com a liderança do católico António Guterres. Após o abandono de Guterres o lógico teria sido que António Vitorino ou Jaime Gama tomassem conta do partido, mas a recusa de última hora do segundo, conduz Ferro à liderança. O PS vira à esquerda, perde as eleições e rebenta o caso casa pia. A direcção treme mas não cede, ficando a impressão que o desgaste do líder era estratégico para o partido- uma vez que era preciso sacrificar alguém no triste papel de ser líder da oposição em circunstâncias tão difíceis. Com a fuga de Barroso, Ferro demitiu-se com bastante dignidade, uma vez que fez uma leitura lógica da atitude presidencial.
Com Sócrates o futuro do PS vai ser voltar ao centro político. A questão vai passar por saber o que vai fazer da oposição interna, nomeadamente da ala esquerda do partido que, subitamente, se vê apeada do poder. Prevê-se uma guerra fratícida entre facções, mas Sócrates é um político determinado, como o demonstrou nas funções de Ministro do Ambiente. Será importante saber a margem da vitória de Sócrates- pois assim poderá legitimar-se de um modo que cale a possível oposição interna.
A vida do novo governo começou em beleza: Após a bronca dos assuntos do mar( em que um incrédulo Paulo Portas nem sequer sabia o nome do seu ministério!), agora foi a Secretária de Estado da Defesa que acabou nas Artes e Espectáculos. Santana Lopes demonstra, com estes dois episódios, o sabor do seu veneno a um PP que se julgava o elo forte do governo. Mas o mais interessante foram as justificações surrealistas que se seguiram...
No caso do Mar, veio o gabinete do Primeiro-Ministro dizer que quem define a orgânica do governo é o seu chefe, e que dessa parte não presta contas a ninguém. Se Portas tivesse condições políticas veriam se não tomaria outra atitude, porque o que se passou é uma afronta gravissima à dignidade de uma pessoa. Como é que é possível que um ministro não conheça o nome do seu ministério? Vale tudo?
Quando pensávamos que se tinha chegado ao grau zero da baixaria política, eis que surje o obscuro caso da Drª Teresa Caeiro. Do caso fica a impressão que a pessoa em questão teria que ficar como Secretária de Estado( numa clara utilização do aparelho de estado para fins partidários), e que, mais uma vez, Santana humilhou Portas e o PP.  E quem conhece a história do PP( que nada tem do CDS), sabe que estas atitudes têm um preço. É uma guerra que promete mais cenas dos próximos capítulos.
Boas! A minha vida está bastante cheia, e quem anda a pagar a factura é o blog... Hoje vou voltar a pôr alguns assuntos em dia- e em Agosto terei mais tempo. Aproveito para agradecer a boa receptividade deste espaço, que só responsabiliza o seu autor.

Friday, July 16, 2004

A crise terminou, e Santana Lopes vai ser o novo inquilino de São Bento. A forma como o Presidente geriu esta crise foi lamentável e trapalhona. Sampaio mostrou que não está à altura do cargo que exerce( Fala um dos seus eleitores).
Se era para haver este resultado final foi escusado e inútil termos passado duas semanas a fazer cenários! O Presidente devia ter a maturidade política para saber isto, pois o modo como conduziu esta crise( ou esta suposta crise, como diria Santana, que neste caso tem razão...), só gerou a mesma.
Ferro Rodrigues, por outro lado, tomou a única decisão possível e digna. O que Sampaio veio dizer foi que ele não teria capacidade para ser governo. O líder do PS fez o que tinha que fazer.
( Um dia destes escrevo um texto mais alargado sobre a desastrada liderança de Ferro no PS)
Durão Barroso é o que sai pior na fotografia. Mas ninguém pode afirmar sem pestanejar que no seu lugar não faria o mesmo...
Boas! Tenho estado afogado em trabalho, e como tal perdi o tempo necessário para escrever. Hoje, atendendo a pedidos de várias famílias, vou tentar por a actualidade nacional em dia...

Monday, July 05, 2004

Durão Barroso, como qualquer jurista, sabe o valor que as palavras têm. Hoje, ao saír da audiência com Jorge Sampaio, disse que o Presidente da República tem "autonomia" para decidir o que entender. A expressão é cínica e incorrecta.
Cínica, porque o Presidente não tem autonomia, quando muito é o governo que a pode ter ou não! É que não podem haver presidentes de iniciativa governamental...
Incorrecta, porque estamos num regime semi-presidencial, e Sampaio devia reagir a mais esta afronta. Todos os poderes políticos do presidente no nosso sistema são discricionários. Deles não deve contas a ninguém- e se há um primeiro-ministro que se julga acima do juízo dos homens, há um dever de o porem na ordem. Sob pena de se violar a ordem constitucional vigente. Fosse Ramalho Eanes ou Cavaco o presidente e veriam se Durão não ficava com as orelhas a arder...
A equipa-tipo do Euro 2004 para a UEFA:

Guarda-redes: Petr Cech (Che), Antonios Nikopolidis (Gre)

Defesas:Sol Campbell (Ing), Ashley Cole (Ing), Traianos Dellas (Gre), Olof Mellberg (Sue), Ricardo Carvalho (Por), Georgios Seitaridis (Gre), Gianluca Zambrotta (Ita)

Médios:Michael Ballack (Ale), Luis Figo (Por), Frank Lampard (Ing), Maniche (Por), Pavel Nedved (Che), Theodoros Zagorakis (Gre), Zinédine Zidane (Fre)

Avançados: Milan Baros (Che), Angelos Charisteas (Gre), Henrik Larsson (Sue), Cristiano Ronaldo (Por), Wayne Rooney (Ing), Jon Dahl Tomasson (Din), Ruud van Nistelrooy (Hol)

Devo dizer que discordo da escolha de Zidane e de Figo. Poborsky mereceu muito mais a distinção do que Figo- e, se queriam consagrar um 10, Rosicky ou Grokajer estiveram bem melhor. Mas a UEFA tem que cuidar dos seus interesses comerciais- e há estrelas que são mais iguais que outras!
Zagorakis foi considerado pela UEFA o jogador do torneio. É uma justa distinção que visa homenagear o melhor jogador grego, mas discordo do critério. Os melhores jogadores deste torneio foram quanto a mim Milan Baros, Poborsky, Maniche, Ricardo Carvalho, Rooney, Lampard, Vicente e Larson. Nenhum deles ganhou, mas( e isto é subjectivo) foram os melhores.
Boas! A festa acabou... Portugal perdeu justamente com uma Grécia mediana- mas tremendamente realista. Dizia o jornal "a marca":
"A Grécia foi aborrecida como uma sola( nr: Expressão castelhana para significar torpe, chata, etc), mas de uma solidez granítica!"
O futebol tem destas coisas. Previamos que ia ser mais fácil com a Grécia do que com os Checos. Mas afinal foi o contrário- e a Grécia, pelo que fez ontem, mereceu vencer o Euro. Portugal jogou mais, mas o nosso futebol nunca teve o esclarecimento de outras partidas- muito por culpa da boa organização grega. Daqui a dois anos há mais.

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